Por Dr. Rodrigo Machado Tavares
“God is a concept by which we measure our pain” certa feita falara John Winston Lennon em 1970 em sua canção intitulada “God”.
Pragmaticamente falando, Deus pode ser sim entendido como sendo um conceito, uma vez que cientificamente falando, com base no método científico aqui na Terra dentro dos “limites limitantes” da terceira dimensão, não é possível provar a existência de Deus. (Vale ressaltar que estas palavras são escritas por um “crente”, crente no sentido de crer, pois que este que cá escreve crê em Deus. Creio sim num Deus “abstrato”, isto é irreal, para alguns, contudo MUITO concreto, ou seja real, para muitos.) Sendo assim, partindo deste pressuposto, que Deus é um conceito, ou até melhor, digamos que uma hipótese, podemos então obviamente classificar as pessoas naquelas em crentes e não crentes: “believers” e “non-believers”. E isto independente de religião. Poderíamos ainda estender esta digressão para a questão mais específica acerca das pessoas materialistas e não materialistas (ou espiritualistas).
Mas focando na questão dos que acreditam em Deus (grupo de pessoas A) e daqueles que não acreditam em Deus (grupo de pessoas B). Também não estamos aqui a discutir a existência ou não de Deus. Vamos assumir duas hipóteses: hipótese 1 – possível existência de Deus; e hipótese 2 – possível não existência de Deus. Então obviamente todas aquelas pessoas do grupo A) pertencem ao contexto da hipótese 1; e todas aquelas pessoas do grupo B) pertecem ao contexto da hipótese 2.
Sendo assim, penso que é presunção tanto de quaisquer pessoas do grupo A) como do grupo B), em português claro, e criticar abertamente que a fé/crença/credo/religião/espiritualidade de outrem, e sobretudo, ridiculizar a fé/crença/credo/religião/espiritualidade de outrem. Aliás, não é só presunção, é deselegante, arrogância, intolerância e pode beirar à falta de caráter.
Precisamos medir as palavras, sobretudo quando escritas. Não devemos opinar sobre a fé/crença/credo/religião/espiritualidade de outrem porque é algo muito pessoal. É como sexualidade: é algo muito pessoal. Não se julga, não se critica, não se ridiculariza: a gente respeita. Em contrapartida, a gente também não deve tentar convencer/converter os outros para as nossas convicções religiosas. Proselitismo é antidemocrático e beira ao autoritarismo.
Numa analogia talvez esdrúxula, mas com fins didáticos, é como querer convencer um vegano a comer carne e vice-versa… ou um homoafetivo a se tornar um heterossexual e vice-versa ou alguém que tem um pensamento de viés esquerdista a modificar sua visão de mundo para um viés direitista e vice-versa e por aí vai… Reflexão
Então eu penso que neste planeta atual onde o senso comum está cada vez menos comum, onde ser intolerante e mau-educado é sinônimo de ser “autêntico”, onde a falta de respeito nos mínimos aspectos está a se tornar normal, onde falar palavrões é quase uma pontuação, silenciar e RESPEITAR as diferenças se torna um ato revolucionário e de contra-cultura, até arrisco em dizer.
Mas para não desviar do tópico, em respeito a todos nós dos grupos A) e B), se eu tivesse o poder de alcance e de influenciar as pessoas, eu diria que até mesmo busquemos dar mais “ênfase a dúvida”. Assim talvez todos nós, do grupo A) e B) quando nos dirigirmos uns aos outros, começaríamos a cultivar um pouco mais de humildade, empatia, tolerância, paciência e respeito. A dúvida pode ser o caminho da saberia, do crescimento e da verdade. Talvez não é à toa que os grandes filósofos exploraram a dúvida como um meio para alcançar conhecimento, até mesmo os pré-socráticos… enfim…
Por um Deus abstrato, eu e muitas pessoas do grupo A, dizemos para Ele (ou Ela… tanto faz… pois palavras são caracteres antrópicos limitados) que achamos e sentimos que esse Deus não é abstrato, é concreto. Assim como as ondas térmicas as quais não vemos, mas sentimos a sua presença, a sua energia…Deus está presente aqui, ali e acolá. Onipresente, onisciente e onipotente. Deus para mim é uma energia: amor! Deus = Mãe Natureza = Cosmos = AMOR.
E para as pessoas do grupo B): eu sempre respeitarei vossas opiniões. Se me perguntarem se eu acredito em Deus, responderei: sim, eu acredito. Se me perguntarem se eu posso provar: não, eu não passo provar. Se me perguntarem por que que eu acredito em Deus? Eu não sei responder. Eu apenas tenho uma fé a qual não sei explicar. Isto me faz bem, me fez viver melhor, não sinto necessidade de fugas etc. Então isso por si só, já me basta e já vale a pena.
Então para um Deus abstrato ou concreto, que vivamos em harmonia com amor: ateus e crentes (de todas as religiões e credos)… because “life is very short, and there’s no time for fussing and fighting, my friend…”
Ps. Apenas “categorizei” pessoas em A) e em B) para fins didáticos neste texto. Somos todos plurais.